21 de abril de 2015

Vantagens de viajar de motorhome com seu bebê

Eu e o Guilherme decidimos tirar férias em janeiro de 2015, onde escolhemos fazer uma pequena viagem de 15 dias para os Estados Unidos. Em novembro  de 2014 surgiu uma promoção para Los Angeles, pela Copa Airlines, então compramos as passagens. Pronto, viagem decidida. 

A maior parte das pessoas acham que planejamos direitinho nossas viagens, por isso conseguimos viajar muito e gastando pouco. Essas pessoas estão enganadas. Eu sou a responsável por organizar as viagens, lógico que sempre converso com o Guilherme sobre os roteiros, passeios, destinos, mas no fim sou eu quem faço as pesquisas e "não-planejo" a viagem. Eu já falei em outros posts que sou mega desorganizada, não consigo nem organizar minha casa, imagina uma viagem, mas essa não organização é divertida também.

Bem, compramos as passagens em novembro. Entre novembro e janeiro pesquisei alguns destinos possíveis perto de Los Angeles, pesquisei valores de aluguel  de motorhome, de aluguel de carro, mas pesquisei principalmente os parques naturais nas regiões próximas. 

Vou falar um pouco sobre como foi o processo de aluguel do motorhome, do roteiro e da viagem em si.

A escolha

Por que um motorhome? Bem! Gostamos muito de viajar de carro, principalmente no nosso, mas essa possibilidade estava descartada, então tinhamos duas alternativas, alugar um carro e ir rodando e parando para dormir em hotéis, o que já fizemos muito, ou alugar um motorhome. 

Nessa decisão o Frederico pesou muito. Com dez meses ele ainda estava em processo de introdução alimentar, então estávamos preocupados com a alimentação dele. Além disso sabemos como é chato chegar tarde em uma cidade e ainda ir procurar hotel, com um bebê seria muito mais difícil, já passamos duas horas procurando um lugar para dormir, o que não seria muito bom com um bebê. No motorhome não teríamos problema com os horários do Frederico, pois a qualquer momento poderíamos parar para fazer a sua comida, parar para dar banho, parar porque era hora de dormir. Nossa é tão fácil trocar a fralda na cama do motorhome, no carro é uma luta. Então decidimos pelo motorhome. No final foi ótimo, comprávamos comida no mercado e preparávamos no motorhome, todos comendo de forma saudável e economizando muito com restaurante. É claro que também comemos em restaurantes, experimentamos a comida local, mas a maior parte das refeições, principalmente as do Frederico, foram feitas no motorhome.

Café da manhã do Frederico

Adorou Blueberry


Os custos com o motorhome são maiores do que com o aluguel de um carro comum, pois gasta muito mais combustível e ainda tem a quilometragem que deve ser paga a parte. Mas no final o motorhome acaba saindo mais barato, pois não precisará pagar hotel e diminui bastante os gastos com restaurantes, que nos Estados Unidos não são nada baratos, a não ser que você só coma fastfood.


O aluguel

Bem, duas semanas antes da viagem comecei a entrar em contato com as empresas de aluguel de motorhome (estão vendo como eu sou super organizada, planejando as coisas com muita antecedência). Queríamos o menor motorhome, mas acabamos escolhendo o mais barato, que não era o menor. Para nós a melhor opção seria o de 19 pés, menor e mais fácil de manobrar, mas a opção mais em conta era a de 25 pés. O bom foi que ficamos com bastante espaço. 

A melhor cotação que encontrei foi pela Camper Travel, uma empresa que aluga motorhomes de outras empresas, como se fosse uma agência. O nosso motorhome, por exemplo, era da Cruise América, a maior empresa de aluguéis de motorhomes dos Estados Unidos. Inclusive fomos buscar o motorhome no escritório da Cruise América, apenas o pagamento foi pela Camper Travel, os outros procedimentos, como marcar o local para retirada do veículo e os tramites para retirada foi tudo diretamente com a Cruise América. Antes de decidir pela Camper Travel fizemos uma cotação diretamente com a Cruise América também, mas pela Camper Travel ficou mais barato.

Como gostaríamos de ir para o Parque Nacional de Yellowstone, e na época que viajamos as temperaturas no parque estavam abaixo de zero, tinhamos algumas dúvidas sobre o sistema de água do motorhome. No site da Cruise América e no contrato eles falam para ter cuidado nos lugares com temperaturas muito baixas, pois pode ocorrer danos no sistema de encanamento e de bombeamento da água, caso essa congele. Então escrevemos alguns e-mails para a empresa Camper Travel, que nos respondeu prontamente. Depois ligamos mais duas vezes para a empresa para tirarmos dúvidas sobre isso e outras coisas, foram bem solicitos também. As ligações foram feitas por Skype, o que facilitou bastante a nossa vida. 

Depois de tirar todas as dúvidas fizemos a reserva, uma semana antes da viagem. Foram treze diárias e inserimos quilometragem ilimitada, mas recomendo pagar os pacotes de milhas, assim fica mais difícil perder dinheiro. 

Tinhamos que fazer o pagamento antecipado, enviamos o número do cartão, que não passou. Passamos o número de outro cartão, que também não passou. Foram umas três tentativas até conseguir. Conclusão, fechamos o motorhome três dias antes de partir.

A retirada

O escritório da Cruise America fica bem longe do centro de Los Angeles, então a dúvida era, como ir pegar o motorhome. Eles tem um serviço de transfer que fica mais caro do que o aluguel do motorhome, um absurdo. Um táxi ficaria caríssimo. Não fazia ideia de como ir de ônibus para lá. Então decidimos alugar um carro para passar o primeiro dia em Los Angeles e buscar o motorhome no outro dia. Detalhe, se você chega de viagem de outro país, não é permitido buscar o motorhome no mesmo dia, pois eles presumem que você está cansado, então você é obrigado a passar uma noite na cidade de retirada do veículo.

Um dia antes da retirada do motorhome ligamos para o escritório da Cruise America para marcar o horário de retirada, pedimos o primeiro horário, pois tinhamos que ir até o escritório, que fica fora da cidade de Los Angeles, e depois voltar para entregar o carro que alugamos antes de cobrarem uma nova diária.

Já no escritório assinamos toda a papelada de contratação. Tivemos que apresentar as nossas habilitações, eu ou o Guilherme poderíamos dirigir o motorhome, pois no contrato  consta o segundo motorista. A categoria exigida para dirigir o motorhome é a B, aquela para dirigir carro comum, de passeio, apesar do motorhome ser um caminhão. Pediram o cartão de crédito, para o pagamento caução, que depois eles reembolsam. 



O uso do gerador é a parte, então depois eles cobram nesse caução. Também será debitado nesse valor a gasolina, caso não devolva o carro com o tanque cheio e o esvaziamento da greywater e blackwater caso você não esvazie antes da entrega.

Chegando lá tem uma sala onde eles passam um vídeo de apresentação do motorhome, como já havíamos visto o vídeo no Youtube fomos direto para a nossa futura casa, onde o atendente nos explicou todos os detalhes de funcionamento. Não tem mistério nenhum, eles explicam todo o funcionamento e você pode tirar todas as dúvidas antes de partir.

Ficamos um tempo ali conhecendo um pouco a nossa casa, enchemos o tanque de água, que estava vazio e partimos de volta para Los Angeles para entregar o carro na locadora. Fui eu na frente com o Frederico e o Guilherme seguindo atrás com o motorhome. Entregamos o carro  na locadora no horário certinho.

A vida no motorhome 

Nos Estados Unidos é muito comum o uso de RVs, Recreacional Vehicle, então em toda cidade tem algum RV Park para você estacionar seu motorhome e dormir ou simplesmente para dispensar os dejetos e abastecer o motorhome com água e gás.

Viver no motorhome é como viver em uma kitnet sob rodas, com a vantagem de a cada dia ter um quintal diferente para almoçar, para jantar e para dormir.





Antes de seguir viagem passamos no mercado, compramos alguns mantimentos, produtos de limpeza, pois o motorhome estava bem sujo, roupa de cama e descartáveis. Eu sei que não é ecologicamente correto, mas a nossa ideia era não dormir em campings ou RV Parks, então tinhamos que economizar bastante água, por isso o uso de descartáveis. Esvaziávamos os tanques com água suja e abastecíamos o tanque de água a cada três dias.   Fazíamos isso nos RV Parks, local para estacionar o motorhome para passar a noite e para fazer o processo de limpeza dos tanques de água suja, nesses locais também há abastecimento de propano, para o fogão e aquecimento da água e calefação.

O banho era bem rápido, pois tinhamos que economizar água. Era naquele esquema: ensaboa, desliga, liga, enxágua, molha cabelo, desliga, lava cabelo, enxágua. Nada de luxo. 

A cozinha tem o necessário, um fogão, uma geladeira, que funciona a gás, então ela não desliga. Um microondas, que praticamente não utilizamos. O microondas só funciona com energia elétrica, então ou tem que ligar o gerador ou estar conectado à rede elétrica em um camping. Tem uma pia e uma bancada onde cozinhávamos confortavelmente. Teoricamente você tem que alugar o kit de louças, mas não contratamos. Para a nossa surpresa havia pratos, panelas, talheres, facas, copos, xícaras, todos os equipamentos necessários para cozinhar. Acho que eles deixam o kit cozinha lá porque dá trabalho retirar. 





Risoto de Aspargos

No motorhome temos praticamente os mesmos afazeres de uma casa. Cozinhar, arrumar a cama, limpar, utilizamos panos de chão descartáveis também, mas tudo em uma escala menor.

Para dormir tem duas camas de casal, uma no fundo do motorhome e uma acima da cabine do motorista, e uma cama de solteiro, mas você precisa desmontar a mesa, que vira cama. Dormimos todos na cama dos fundos

O motorhome tem muitos armários, eu amei isso, porque odeio fazer e desfazer a mala todos os dias quando ficamos em um hotel a cada dia. Outra vantagem do motorhome, você deixa suas roupas no armário tudo bonitinho, organizadinho. Para as malas e o carrinho de bebê tem um porta-malas enorme.


Nas noites que fazia frio ligávamos o aquecedor, deixávamos ele ligado um tempo até esquentar o motorhome, depois desligávamos,  pois ele não pode ficar ligado a noite toda, a não ser que esteja ligado na eletricidade em um camping, pois o motor que joga o ar funciona com a energia da bateria.

Sem luxo vivemos bem os 13 dias no motorhome.

Motorhome em cidades grandes

Eu dirigi muito pouco o motorhome, apenas na estrada, sem muito trânsito. Para o Guilherme foi muito estressante dirigir o motorhome nas cidades de Los Angeles e Las Vegas. Dirigir um motorhome é a mesma coisa que dirigir um caminhão pequeno, então algumas curvas são bem difíceis de fazer, alguns lugares difíceis de entrar. Os estacionamentos para motorhome nas cidades grandes são bem caros, U$25 no Pier Santa Mônica, por exemplo. O carro é mais pesado, então fazer manobras com ele é mais difícil. Bem, se você for uma pessoa muito paciente e tranquila não terá problemas em dirigir na cidade, mas se no trânsito na cidade, em um carro normal, você já se estressa um pouquinho, então talvez não seja uma boa rodar de motorhome pelas cidades grandes. Mas na estrada, rodovias, é bem tranquilo, é como dirigir um carro pequeno.



Onde dormir?

Em nenhuma noite dormimos em camping ou Rv Park. Dormimos algumas noites no estacionamento do Walmart ou Target, onde muitas vezes era possível pegar WIFI grátis. Outras vezes em estacionamento de hotéis. Na Big Sur dormimos no estacionamento de um hotel, na beira do mar, ainda pegamos a WIFI do hotel. Dormimos na beira do Lake Tahoe. Dormimos no mirante da ponte Golden Gate.

Onde passamos a noite

É possível passar a noite em qualquer lugar que seja um estacionamento, ou seja permitido o trânsito de carro e não tenha uma placa proibindo overnight.



O bebê no motorhome

Para o Frederico viajar precisamos comprar uma cadeirinha para automóvel. Fomos no Target e escolhemos uma que fosse confortável e segura para ele, e, principalmente, que reclinasse e ele pudesse dormir confortavelmente,  pois seriam muitas horas de viagem. Chegando no motorhome a cadeirinha não cabia no banco, pois a mesa atrapalhava. Tiramos o estofado do banco, que é removível, e problema resolvido, ufa!.



É importante que a cadeirinha seja confortável, pois eles irão dormir bastante na viagem, então não adianta pegar aquela reta, que não reclina, o bebê não ficará tão confortável. Se o bebê for pequenininho o bebê conforto é uma ótima opção.

A alimentação dele foi basicamente frutas, verduras, carnes e arroz. A sessão de frutas e verduras nos mercados dos EUA geralmente é pequena, mas sempre encontramos, brócolis, cenoura, batata, aipo, que Frederico adora, e folhas em geral. Frutas compramos muito abacate, banana, blueberry, maça. Eles vendem uns saquinhos com verduras bem prático, um mix com brócolis, cenoura, couve-flor, etc., já cortados, só botar para cozinhar.

O banho era rápido. Frederico já ficava em pé com apoio, então colocávamos ele em pé no box do banheiro e dávamos um banho rápido, mas que limpava tudo bem direitinho.

Gente é muito bom carregar a casa com a gente. Quando viajamos de carro é uma luta para trocar a fralda. O banco de trás não é reto, o bebê fica caindo, o da frente é pequeno para ele deitar. Aí você consegue uma posição e o bebê começa a mexer pra lá e pra cá e quase cai no chão, nossa, é um Deus nos acuda. No motorhome não, a  gente pega, deita o bebê na cama limpinha, retinha, troca, lava a mão, joga a fralda na lixeira, que está ali, porque achar lixeira também pode ser um problema, e ficar com uma fralda suja dentro do carro não é nada agradável.

O motorhome tem um espaço bem pequeno para brincar, mas Frederico adorou. Gostava de ficar embaixo da mesa, como se fosse uma cabaninha, uma graça. 

O roteiro

Desistimos de ir para Yellowstone, com medo das baixas temperaturas. A ideia então era ou seguir de Los Angeles até Seattle, percorrendo o litoral oeste, ou quebrar para os Parques de Utah, ou ir para o Parque Nacional de Yosemite. Eram essas algumas possibilidades, mas outras poderiam surgir no caminho. 

O roteiro final foi decidido no caminho. Fizemos a Highway 1, de Los Angeles até São Francisco, passando pela belíssima Big Sur. De São Francisco seguimos para o Parque de Sanoma, onde ficamos um tempo decidindo se seguimos para Seattle ou quebrávamos para o interior. Decidimos ir até Lake Tahoe, passando pelo Napa Valey. De lá pensamos em ir para o parque de Yosemite, mas soubemos que havia caído uma nevasca na região, o que dificultaria nossa passagem, então partimos para os parques de Utah, cruzando a deserta estrada que atravessa o estado de Nevada de oeste a leste. Em Utah visitamos os parques Bryce Canyon e Zion, belíssimos. Enfim chegamos em Las Vegas e depois de volta a Los Angeles. 

Uma viagem curta, mas muito bem aproveitada, com paisagens que foram de praias belíssimas, até desertos inabitados, de Canyon incríveis, até lagos de águas cristalinas.

Para saber mais sobre essa viagem click aqui.


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