10 de setembro de 2015

Entre lagos e vulcões: de Santiago a Puerto Varas



No início de 2013 fizemos uma viagem de 30 dias de Brasília até Ushuaia, na Argentina, a cidade mais ao sul do mundo. Nessa viagem passamos pelas cidades de Villarrica e Pucón, cidades que nos surpreenderam por suas belezas. Em julho deste ano retornamos à região, mas conhecendo outros pontos que ainda não tinhamos visitado, indo até Puerto Varas.


Aqui falarei um pouco sobre cada viagem, a primeira sem o nosso filho Frederico, apenas com nosso cachorro Hugo. Agora em 2015 Frederico nos acompanhou, com 1 ano e 3 meses.


Villarrica e Pucón (março de 2013)



Essa região de lagos e vulcões é linda, tanto a parte chilena como a parte argentina. Entre Villarrica e Puerto Varas passamos por três regiões do Chile: Araucanía, Los Ríos e Los Lagos. Essa área engloba locais de natureza ímpar, com muitos lagos e vulcões.



Em 2013 fomos no final do verão, melhor época para visitar a região, pois revela toda sua beleza. Nesse ano fomos no inverno, paisagens muito diferentes. O excesso de chuva e os dias nublados não deixam os lagos mostrarem seus tons de azuis e o reflexo da paisagem em suas águas cristalinas.


Viajar de carro por ali é ótimo, pois podemos conhecer os inúmeros lagos da região, parando em todos. Tem uma hora que a gente até cansa de parar, pois são muitas paisagens belíssimas.

Antes de chegar a Villarrica já nos deparamos com um pouquinho do que teríamos pela frente com a Laguna Lanalhue.



O Commander na Laguna Lanalhue - Chile

Eu, Hugo e o Commander um pouco antes de Villarrica



Ao chegar em Villarica nos deslumbramos com a beleza do Lago Villarrica, água cristalina, vontade de mergulhar, pensando melhor, não, a água estava um gelo.


Hugo admirando a paisagem do Lago Villarrica
Reparem na água cristalina, dá para ver o fundo

Lago Villarrica

Lago Villarrica


Lago Villarrica



Poucos quilômetros depois de Villarrica, chegamos a cidade de Pucón, que fica mais próxima do vulcão Villarrica do que a cidade de Villarrica.

Vulcão Villarrica visto de Pucón



Em toda a cidade tem avisos e placas para evacuação, caso o vulcão entre em erupção

Chegamos à cidade e procuramos um camping. Achamos um bom e com um bom preço, o La Poza, fica logo na entrada da cidade. Depois de acertarmos o camping fomos até as agências de turismo procurar pelo passeio de trekking  até o pico do vulcão. Nem sempre é possível fazer a subida, pois o tempo precisa estar bom para que o CONAF permita a subida, sem vento, chuva, abalos sísmicos. Demos sorte, pois a previsão do tempo para o próximo dia era boa e permitia a subida ao topo do vulcão.

Estávamos fazendo uma pesquisa de preços quando conhecemos o Lucas, um brasileiro que também queria fazer o passeio e nos chamou para ir em uma agência que ele tinha encontrado e que fez um ótimo preço. Na agência perguntamos se o Hugo poderia subir com a gente, o dono falou que não teria problema, mas ofereceu uma casa para deixá-lo enquanto subíamos o vulcão, com tanta gentileza fechamos nessa agência.


No dia seguinte acordamos 5:45 da manhã para nos arrumarmos e estarmos na agência de turismo às 6:45. Chegamos à agência, pegamos nossa mochila com equipamentos (roupa corta vento, botas, grampos para colocar nas botas e andar sobre a neve, picareta para andar no gelo, luvas). Saímos de lá umas 7:15, deixamos o Hugo na casa do dono da empresa, onde tinha um São Bernardo filhote que o Hugo quis enfrentar, mas depois virou amigo.

O Vulcão tem 2.847m de altura, a gente sobe cerca de 1.000 metros de carro. A essa altura os aventureiros têm duas opções, subir os 1.800m todo a pé ou subir uns 500m de altura em um teleférico e economizar uns 2km de caminhada, somente de subidas muito íngremes. Eu optaria pelo teleférico, para enfrentar apenas 3Km de subidas íngremes, mas infelizmente o teleférico não estava funcionando.

Foram 5Km de caminhada, de subidas muito íngremes, totalizando quase 2Km de altura em cerca de 6 horas de subida, começamos as 8h e chegamos ao topo as 14h. Várias vezes eu pensei em desistir, é uma caminhada muito pesada, pois não tem caminhada reta ou descida, são 6 horas apenas de subida. Bem, pelo menos para mim, que não tenho muita prática e sou sedentária, foi um grande desafio. Várias vezes achei que tinha chegado no meu limite, mas continuava a subida. Até agora estou sem acreditar que consegui. O Guilherme também ficou muito cansado e depois me confessou que também pensou em desistir.







Apesar do frio não tinha como ficar de casaco, o esforço da subida mantinha o corpo quente o tempo todo. A caminhada é difícil e cansativa, mas a vista era sempre recompensadora.

Ao fundo o lago Villarrica


Depois de muito subida chegamos à neve.









E depois de superar os nossos limites físicos, enfim o topo do Vulcão Villarrica. 





 E a vista de cima do Vulcão compensa o sacrifício. Lá de cima temos a vista do Vulcão Lenin na Argentina.






Depois de tanto esforço para subir agora era a vez da descida, beeeeem mais fácil. Pela neve descemos de Skibunda, muuuuito massa. Aquelas subidas muito íngremes agora eram descidas muito íngremes que descemos escorregando. Descemos agora sem os grampos nos sapatos, então as quedas na neve também eram inevitáveis, mas até as quedas eram divertidas.


A vista também tornava a descida muito agradável. 

 Depois da descida pela neve o resto da descida também foi fácil, pois íamos meio que escorregando por uma espécie de areia formada por lava petrificada.








Destino Siete Lagos: de Santiago a Puerto Varas

Um dos roteiros possíveis para essa Road Trip era o Destino Siete Lagos. Decidimos fazê-lo, mas sem o compromisso de conhecer todos os lagos, conhecemos alguns ao longo da viagem.

12 de julho de 2015 - Chillán

Saímos de Santiago às 11h. Pegamos a Ruta 5 rumo a Chillán. Depois de 420Km de estrada estávamos em Chillán, onde paramos para abastecer e perguntamos o caminho para o Vale de Las Trancas, povoado mais próximo das Termas de Chillán e da estação de esqui. Estrada muito tranquila rumo a Cordilheira dos Andes. Chegamos no vilarejo no final da tarde. Então fomos procurar um lugar para ficar. Todo o sul do Chile tem muitas cabanas, ou como chamamos também, chalé para passar a noite ou uma temporada. Chegamos na região na temporada de férias, então as acomodações estavam caras, conseguimos uma por R$260,00. A cabana era legal, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, cabem até 6 pessoas. Nessa região é importante ter um sistema de calefação eficiente, uma lareira é essencial. Quanto mais próximo das montanhas mais cara a hospedagem, então ficamos um pouco mais distante do centrinho do vilarejo. 



A cabana que ficamos em Vale de Las Trancas

Para não passar frio, sistema de calefação a lenha.

Frederico olhando a neve cair pela janela.


13 de julho de 2015 - Chillán e Lican Ray

Ao acordar, para a nossa surpresa, olhamos pela janela e estava nevando. O Frederico já conhecia neve, mas nunca  tinha visto ela caindo do céu. Fomos lá fora e Frederico amou, ficava com a mãozinha aberta para pegar a neve. Quando tentávamos voltar para a cabana ele começava a chorar. Brincamos um pouco ali e depois tomamos café e arrumamos as coisas para partir.







Íamos ao Nevados de Chillán, quando chegamos em uma certa parte da estrada só podia continuar com correntes nos pneus, tinha um pessoal alugando, mas achamos muito caro, quase o preço de comprar. Como não tínhamos intenção de esquiar ou entrar nas termas, resolvemos procurar um restaurante com uma área externa boa, onde o Frederico e o Hugo pudessem brincar na neve. Achamos então o restaurante Rinding. Gostamos bastante, a comida com preço justo, muito gostosa e na área externa tinha brinquedos para as crianças e uma boa área para correr e brincar na neve. Ficamos um pouco ali brincando depois seguimos viagem. 

O restaurante e o Hugo do lado do pinheiro
Vista do restaurante. Do lado direito da foto é possível ver duas quedas d`água, lindas ao vivo. 
Frederico brincando no parque que havia na área externa do restaurante.


Acho essa paisagem de neve muito bonita.



O Hugo também brincou na neve.






Decidimos ir para Villarrica pela ruta 5 e depois ir descendo pelo interior da Região dos Lagos, pelo Camino de Los Siete Lagos. Como esta é uma road trip, o melhor é escolher estradas do interior, pois assim encontramos as paisagens mais bonitas. Chegando no centro de Chillán para calibrar os pneus descobrimos que o carro tinha uma lâmpada queimada, e lá fomos nós procurar uma lâmpada. Depois de rodar a cidade e procurar em algumas lojas, encontramos. Trocamos e pegamos a Ruta 5 rumo a Villarrica.

Enquanto íamos para Villarrica fui pesquisando um local para dormir por lá. Como Villarrica é uma cidade bem turística as cabanas e hotéis estavam meio caros, então encontrei uma cabana por 125 reais em Lican Ray, a 20km de Villarrica, chegamos em Lican Ray as 22h e fomos direto para cabana, fizemos uma comidinha por ali e fomos descansar para o outro dia pegar estrada.


14 de julho de 2015 - Lican Ray e Siete Lagos

A Cidade de Lican Ray fica na beira do lago Calafquén, um dos lagos da rita Destino Siete Lagos, e é uma opção mais barata que Pucón e Villarrica para quem quer subir o vulcão Villarrica. Fomos contornando o Lago Calafquén e paramos na cidade de Calafquén, uma cidadezinha muito bonita com casinhas de madeira e com uma orla bem estruturada do lago, com cadeiras e banquinhos para curtir a paisagem. Mesmo com o tempo nublado, foi possível aproveitar a beleza e a tranquilidade do local.

Orla do lago Calafquén

Orla do lago Calafquén
Hugo na orla do lago Calafquén

Seguimos beirando o Lago Panguipulli, na estrada tem vários mirantes para contemplar a beleza do lago, alguns têm até mesinha para fazer um lanche enquanto curte o visual do lago, que faz parte da rota Destino Siete Lagos.



Orla do Lago Panguipulli

Orla do Lago Panguipulli


Chegamos à Reserva Biológica de Huilo-Huilo às 16h. Fizemos uma trilha de 40 minutos entre ida e volta até o Salto Huilo-Huilo. A cachoeira não é alta, mas a água cai com uma força impressionante, que faz com que a água volte formando uma espécie de fervedouro, pois parece que a água está fervendo. E a natureza vai nos mostrando coisas espetaculares.


Salto Huilo-Huilo


Salto Huilo-Huilo

Estava chovendo, mas não o suficiente para estragar a trilha.

Salto Huilo-Huilo
O Frederico foi nas costas do pai, se divertindo com a paisagem e os galhos das árvores.


Salto Huilo-Huilo
Mas também caminhou um pouco na trilha.

Trilha salto Huilo-Huilo

Observando o Rio Fuy


Depois fomos no hotel Cabaña Magica, bem legal o hotel, com a parede coberta de plantas e uma cascata que sai de cima da construção. 



Hotel Cabaña Mágica

Depois disso fomos procurar uma cabana para ficar. A primeira que fomos ver o preço já ficamos, porque achamos um preço justo e o local bem legal, na beira do Rio Fuy, a Cabaña Patagonia Mawida. A cabana é muito confortável e aconchegante. Tivemos uma ótima estadia.


Cabaña Patagonia Mawida


Guilherme curtindo a tranquilidade


15 de julho de 2015 - Vulcão Choshuenco

Amanheceu nevando, encobrindo o gramado e o carro.




Decidimos ficar na cabana mais uma noite, então saímos para passeios ali perto. Fomos ao Lago Choshuenco, mais um da rota Destino Siete Lagos, a orla tem uma estrutura bem legal para ficar ali, lanchar e curtir o visual , mas infelizmente estava chovendo, ficamos um pouco, Frederico correu por ali, brincou um pouco, o suficiente para chegar no carro e dormir.

Orla do Lago Choshuenco

Orla do Lago Choshuenco
Orla do Lago Choshuenco
Depois subimos o Vulcão Mocho Choshuenco de carro. O percurso é bem legal, com uma vegetação belíssima, pinheiros altíssimos, uma mata fechada e bem úmida, lindo, lindo. Infelizmente não deu para subir até o final, pois a neve ficou mais forte, e como não tinhamos correntes nos pneus, decidimos parar por ali.

Do alto do Vulcão conhecemos mais um dos lagos do Destino Siete Lagos, o Riñihue, ao fundo nas fotos.


De cima do vulcão Mocho Choshuenco com o lago Riñihue ao fundo
De cima do vulcão Mocho Choshuenco com o lago Riñihue ao fundo



16 de julho - Frutillar e o Vulcão Osorno

Decidimos seguir mais ao sul, até a cidade de Frutillar, para conhecer o Vulcão Osorno, mas infelizmente o tempo não nos deixou ter a visão do vulcão.


A cidade fica na beira do lago Lhanquihue. Em dias ensolarados é possível ter uma visão belíssima do lago e do Vulcão Osorno, mas a chuva e o tempo nublado impediu tal visão.

De qualquer forma curtimos o fim de tarde na cidade, que é uma graça. De colonização Alemã a cidade tem arquitetura e culinária diferenciada. Vale a pena aproveitar a cidadezinha e o Kuchen, doce tradicional na região.

Orla do Lago Llanquihue em Frutillar

Orla do Lago Llanquihue em Frutillar


Passeio na cidade de Frutillar



Pier na orla de Frutillar


17 julho - Puerto Varas

O tempo amanheceu bem chuvoso. Passamos novamente na beira do lago Llanquihue, para ver se avistávamos o vulcão Osorno, mas o tempo continuava bem ruim.

Seguimos até Puerto Varas, onde decidimos voltar para Santiago, pois o tempo não estava ao nosso favor. A chuva impedia tanto a visão das paisagens, como os passeios.

Conclusão

A região que vai de Chillán até Puerto Montt é belíssima. O Chile é muito mais do que Santiago. Se você gosta de natureza e de belas paisagens, desbrave o Interior do Chile, você amará.

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