6 de julho de 2016

Carretera Austral: visitando glaciares, lagos e vulcões

A Carretea Austral é uma linda estrada no Sul do Chile. As paisagens variam entre lagos translúcidos, montanhas nevadas, glaciares, vulcões, águas termais, fiordes e uma bela vegetação. A estrada fica na Patagônia Chilena, menos conhecida, mas, na minha opinião, mais bela que a Patagônia Argentina.

Hoje a pista tem boa parte asfaltada, o que facilita o acesso aos pequenos vilarejos da estrada. Porém ainda há muita estrada de chão, ou de rípio, como eles chamam. A condução é bem cansativa, pois dirigimos horas para percorrer distâncias pequenas. Como já diz um ditado patagônico, "Quem se apura na Patagônia perde seu tempo". E para que ter pressa? As paisagens são tão belas que realmente é necessário ir com calma e devagar para admirar todos os detalhes.

Os 1.247Kms da Carretera Austral se inicia logo depois de Puerto Montt, mas como queríamos evitar uma balsa e passar por alguns lugares que nos interessava, pela beleza, pegamos outro caminho. Em vez de ir para Puerto Montt fomos para Puerto Varas, ali passamos o Ano Novo, onde o Frederico descobriu sua nova brincadeira favorita, jogar pedras no lago.



Puerto Varas a Hornopirén

Essa região tem ótimas atrações, como os Saltos de Petrohué, com um lindo rio de água azulada. 

Saltos de Petrohué

A trilha é bem fácil e curta, tranquila para quem está carregando um bebê. Mas o porta bebê sempre nos acompanha nesses momentos.

Outro lugar muito bonito na região é o Lago Todos Los Santos. Fomos até lá, realmente muito bonito, mas havia uns insetos voadores enormes, os tábanos, que ficaram atrás da gente fazendo um agradabilíssimo som e tentando nos picar. Gente, esses tábanos nos acompanharam a viagem inteira, alguns lugares tinham muitos e outros menos. Era tão desagradável que nem conseguimos tirar fotos no local. Esses bichos infestam a região sul do Chile entre de dezembro e o fim de janeiro, e eles realmente atrapalham qualquer passeio, eu não volto mais nessa época para a região.

Depois que aprendemos a conviver com os tábanos seguimos pela estrada que vai para Hornopirén, passando por Cochamó e Puelche, onde iniciamos nosso caminho pela Carretera Austral, também conhecida como Ruta 7.










Vale a pena pegar esse caminho. É bem bonito. No verão os lagos da região mostram sua estrondosa beleza.

Dormimos em Hornopirén, onde no dia seguinte pegamos a balsa para Caleta Gonzalo. Algumas pessoas falam que é necessário reservar a balsa, principalmente no verão, pois há muita demanda. Bem, como nunca sabemos o dia que chegaremos na cidade seguinte, principalmente levando em consideração o ditado patagônico, compramos nosso bilhete na hora e seguimos viagem.

Fim de tarde em Hornopirén, vista do nosso wild camping
Frederico brincando enquanto eu preparo o jantar em Hornopirén


Balsa entre Hornopirén e Caleta Gonzalo


Parque Pumalín

Aqui consideramos realmente o início da Carretera Austral. Um lugar com poucos carros, poucas pessoas e uma natureza incrível. Diferente do lado argentino, com uma vegetação de deserto, desse lado dos Andes a vegetação mostra sua grandiosidade. 

Trilha para lago negro


Existem algumas trilhas no parque, fizemos a que vai até o Lago Negro.

Lago Negro parque Pumalín

Mas ao longo da estrada já podemos ver a beleza da região, para os que não gostam de treking.


Outra trilha interessante é a do Vulcão Chaitén, não fizemos essa, mas conseguimos ver a destruição que ele causou em 2008 depois de um sono de milhões de anos.

Vulcão Chaitén

O Litoral do parque também é bonito, mas com pouca estrutura. Com o frio que faz por ali, mesmo no verão, não há muita gente animada em dar um mergulho.

Litoral do parque Pumalín

Praia gelada em Chaitén

Além dos lagos o mar também tem tonalidades belíssimas

O  parque Pumalín tem uma ótima estrutura para camping, com áreas grandes, para acampar, algumas com preço muito acessível ou grátis.


Camping no parque Pumalín


Chaitén a Coyhaique

Nesse trajeto metade da estrada é de chão e a outra metade asfaltado. Foi nesse trajeto de estrada de chão que tivemos nosso primeiro pneu furado. Estão asfaltando a estrada, então havia uma espécie de brita que entrou com tudo no pneu. 

Guilherme trocando o pneu furado enquanto Frederico brinca de atirar pedras no mato

Isso já foi próximo a La Junta, onde inicia o asfalto. Por ali dormimos e arrumamos o pneu no outro dia. Dormimos na beira de um rio gelado, onde havia algumas pessoas pescando salmão, bem abundante na região.






O caminho de La Junta até Cohihayque passa por lindas paisagens, com rios, lagos, ventisqueros. A principal atração nesse trajeto é o Parque  Nacional Queulat, onde podemos ver o Ventisquero Colgante, um glaciar em cima de uma montanha que forma algumas cachoeiras e um belo rio devido ao degelo.


Ventisqueiro Colgante


A trilha para o Ventisquero não é das mais fáceis para quem carrega um bebê nas costas, mas temos uma visão mais próxima do Ventisquero.

Debaixo de chuva conseguimos chegar no mirante do Ventisqueiro Colgante

Trilha para o Ventisqueiro Colgante


Depois de visitar a Reserva Queulat seguimos em direção a Coyhaique. No caminho encontramos o Lago Las Torres, onde havia um belo visual e um camping grátis.




Coyhaique é a maior cidade da Carretera Austral. Atrai muitas pessoas para a pesca, devido aos lagos e rios cheios de salmão e truta.

Coyhaique a Puerto Rio Tranquilo

Aqui começa a parte mais bonita da Carretera Austral. De Coyhaique até Puerto Rio Tranquilo a  metade da estrada está asfaltada e a outra metade é estrada de chão. 

Foi nesse trajeto que demos de cara com o Lago General Carrera. Gente!! Que lago lindo. Um dos lagos mais bonitos que já vi na vida. Só perde para a Laguna Colorada na Bolívia, ou empata. É incrível o azul da água, proveniente do degelo das montanhas e dos glaciares.

Lago General Carrera


E é claro que as fotos nunca conseguem mostrar a beleza do local, mas podemos ter uma ideia por elas.

Lago General Carrera

É no Lago General Carrera, a partir de Puerto Rio Tranquilo que fazemos o passeio até as Capillas Marmol, um passeio incrível. As formações, a cor da água, tudo impressiona.

Capillas Marmol

Capillas Marmol

Capillas Marmol

Capillas Marmol

Capillas Marmol


A partir daqui até Villa O'Higgins não existe asfalto. Agora é ter calma, paciência e apreciar as mais belas vistas da Carretera. 

Puerto Rio Tranquilo a Villa O'Higgins

Muita gente que faz a Carretera Austral corta esse trajeto, mas que vale cada km de estrada de chão.

Começando pelo Rio Baker, que é um show da natureza. Uma cor difícil de descrever, é uma força impressionante. Cerca de 100km de Rio Tranquilo temos uma pequena trilha que chega a Confluência do Rio Baker com o Rio Neff, um espetáculo de cores.

Confluência dos rios Baker e Neff

Confluência dos rios Baker e Neff
Mais adiante entramos por um caminho alternativo para chegar a Cochrane. Um desvio belíssimo, com visuais cinematográficos. Esse caminho passa pela ponte Manzalla, muito estreita e onde passam veículos de até 3 toneladas, por pouco não poderíamos passar por ela.

Ponte rio Baker

Rio Baker


E depois atravessar novamente o rio em uma balsa bem pequena. O bom é que ela era gratuita.

Balsa rio Baker


E logo depois chegamos em Cochrane. 

Chegando em Cochrane, simpática cidade da Patagônia

São inúmeros visuais dessa parte da estrada, nem me lembro mais onde foi o que, rs. 








É o prêmio é chegar na simpática e tranquila Villa O 'Higgins. 



Chegamos na cidade e já fomos direto na agência que faz o passeio para o Glaciar O' Higgins, onde recebemos a notícia que só tinha vaga no passeio de segunda, e ainda era sexta. Decidimos procurar um camping e esperarmos esses dias. Foi ótimo, descansamos bastante, Frederico fez amizade com o cachorro, com as galinhas, os patos...

O camping que ficamos era ótimo, não por conta da estrutura, mas pelas pessoas, pelos hóspedes, pela vibe do lugar. Os donos vendiam pão quentinho todos os dias de manhã e à tarde. Também fizeram um delicioso cordeiro patagônico para almoçarmos no domingo.
Camping em Villa O'Higgins

Frederico se apaixonou pelo casal de patos, e eu pelas montanhas nevadas


Chegou segunda e o tempo estava ruim, então adiaram o passeio para terça.

Enfim terça pudemos desfrutar do lindo passeio pelo Lago O'Higgins. O barco balança muito, muita gente passou mal, mas o visual do glaciar ameniza o transtorno.
Glaciar O'Higgins

Frederico observando o Glaciar O'Higgins

Felicidade dos dois por poder vivenciar tudo isso

Na volta passamos pelo porto de Candelário Mancilla. Ali muitos ciclistas e mochileiros descem para continuar a jornada até El Chaltén, na Argentina.

Um dos muitos Iceberg no lago O'Higgins

Meu pequeno príncipe observando a beleza do mundo (Lago O'Higgins)

A cor do Lago O'Higgins é simplesmente deslumbrante

A cor do Lago O'Higgins é linda. O que me marcou na Patagônia foram as cores dos rios e lagos.

No outro dia pegamos estrada novamente, rumo a Chile Chico. Antes passamos em Caleta Tortel, uma cidade construída inteiramente sobre palafitas e passarelas. 

A interessante Caleta Tortel

Dormimos em Cochrane e no outro dia de volta ao Lago General Carrera, mas agora por outro lado, em direção à Chile Chico. Essa foi uma das estradas mais bonitas que já percorri. É uma estrada de chão que você agradece por ter que ir devagar, para contemplar a beleza desse lago.

O belíssimo General Carrera


Então atravessamos a fronteira para a Argentina. Escolhemos voltar pela Argentina por ser um caminho mais rápido, pois é todo asfaltado. 

E nem sabíamos que voltaríamos na Argentina


E com esse belo lago nos despedimos da Patagônia


Assim termina nossa jornada pela Patagônia. Agora rumo ao norte do Chile.





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